Tema desgastado e desgastante

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Tema desgastado e desgastante

Gotas Olímpicas

Por: Ricardo de Moura

Data: 18/JAN/2024

Ao final de uma temporada e começo da outra, como agora, muitas equipes sofrem o impacto da perda de bons nadadores.

São muitas as razões: porque a família se mudou, o nadador foi para a faculdade, por questões financeiras ou, até mesmo, porque o nadador abandonou o esporte.

Perder um ou mais dos principais nadadores não é um fato incomum.

A grande maioria dos técnicos de natação já sofreu esse impacto. Fato que ocorre com campeões olímpicos a nadadores bem jovens.

Com técnicos experientes ou novos na profissão.

A maioria dos nadadores toma essa decisão porque acha que evoluirá. Essa separação pode ser consensual ou traumática.

Quando adolescente, além da sensação de achar que sabe tudo (onisciente), outras emoções também afloram, incluindo a frustração pela mudança ser considerada necessária, empolgação com o novo desafio e preocupação em se encaixar com novos companheiros de equipe, um novo treinador e um novo ambiente.

Do ponto de vista dos treinadores, os sentimentos quando um bom nadador sai são igualmente complexos.

Há uma frustração por todo o esforço que foi investido e os frutos serem colhidos por outra equipe.

Porém, quando um nadador está infeliz e quer ir, o ficar pode causar uma presença negativa na equipe, que o técnico somente percebe quando o nadador vai embora.

É como se todos pudessem voltar a respirar. Como treinador, ter o ambiente certo é de suma importância. Consegue “construir” outros bons nadadores.

Também quem recebe um bom nadador, tem suas complexidades.

Primeiro, se espera que o nadador possa se encaixar e não perturbar a harmonia da equipe.

As reuniões iniciais ajudam, mas, nem tudo se resolve nessas reuniões. E, no fundo, o técnico também se pergunta se o nadador é um descontente: daqueles que nunca ficam em um lugar por muito tempo.

Há casos em que o nadador, realmente, avança.
Em muitos casos, também, eles voltam para casa. Ou, então, envergonhados e perdidos, abandonam o esporte.

E, mais velhos, reconhecem tudo o que foi feito em sua base: conceitos, disciplina, aprendizado que levam para a vida toda.

#natacao #perda #sentimentos #frustracoes

Ricardo de Moura
Gestor esportivo com mais de 40 anos de experiência em Projetos Esportivos.
Supervisor/Superintendente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos por 28 anos.
Participou de 7 edições dos Jogos Olímpicos, 7 edições de Jogos Pan-americanos e 25 Campeonatos Mundiais. Responsável por projetos que levaram à conquista de 10 medalhas olímpicas na natação. Integrante do Comitê Técnico de Natação da Federação Internacional de Natação por 12 anos.
Secretário-tesoureiro da Confederação Sul-americana de Natação.
Professor do Curso Avançado de Gestão Esportiva do Comitê Olímpico Brasileiro de 2009 a 2017.
Escritor do livro “Gotas Olímpicas” – 2022.

Divulgação ISE – Reprodução autorizada pelo autor
O conteúdo do texto é de inteira responsabilidade do(s) autor(es).

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