“Um estudo recente com mais de 10 mil atletas brasileiros (2015-2022) trouxe à tona dados que exigem nossa atenção e reflexão crítica.
A pesquisa, produzida pelo amigo André V. Siqueira Rodrigues, revela que mais de 7 em cada 10 atletas brasileiros (71,54%) consomem suplementos alimentares, e a média é de 4 a 5 produtos por atleta – uma das maiores taxas globais.
O estudo aponta que quase 8% dos atletas que usam suplementos consomem mais de 10 produtos diferentes.
Isso não é apenas um exagero nutricional; é um risco significativamente maior de contaminação por substâncias proibidas.
A complexidade de tantos componentes aumenta exponencialmente a chance de um resultado positivo no controle antidoping, mesmo que o atleta não tenha a intenção de trapacear.
Atletas femininas relataram um uso mais frequente e em maior quantidade de suplementos.
Este dado demanda uma análise mais aprofundada: estariam elas mais expostas a riscos ou menos informadas sobre as nuances da suplementação segura?
Ao contrário de outros países, o Brasil ainda carece de um programa robusto de certificação de terceiros para suplementos.
Isso significa que a confiança na pureza dos produtos fica comprometida, deixando nossos atletas em uma posição de maior vulnerabilidade.
O aumento do consumo de suplementos em anos olímpicos e o uso de maior quantidade fora das competições (possivelmente por medo de testes) sugerem que, para muitos, a suplementação está acima da estratégia “”alimentação em primeiro lugar”” (food first), que é a base da nutrição esportiva.
Os dados são um chamado urgente à responsabilidade.
Não basta que atletas sejam “”bons”” ou “”dedicados””; eles precisam ser “”informados”” e “”protegidos””.
A alta prevalência e o consumo excessivo de suplementos, somados à falta de regulamentação clara no Brasil, criam um cenário de risco desnecessário para a saúde e a carreira de nossos talentos.
É imperativo que federações, clubes, nutricionistas e atletas se unam para promover uma educação robusta e contínua sobre o uso consciente de suplementos, priorizando sempre a nutrição natural e a segurança.
O futuro do esporte limpo depende da nossa capacidade de agir agora.
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