Morte súbita
Gotas Olímpicas
Por: Ricardo de Moura
Data: 05/JUN/2024
Próximo à realização dos Jogos Olímpicos, surgem as reportagens sobre curiosidades, variedades e tópicos diversificados sobre o evento.
Em muitas dessas reportagens, há mais um sentido de torcida e esperança em resultados, fatos que motivem o público a assistir ao evento do que uma análise fria e real do que, realmente, pode ocorrer.
Entram nessa equação, obviamente, interesses distintos: atender a patrocinadores, atrair público, aumentar a audiência, tentar valorizar um resultado…
Só que os resultados dos Jogos foram construídos ao longo de um ciclo e apresentaram sinais que poderiam acontecer.
Fazendo uma analogia, é como afirma o Dr. Fabio Fernandes, médico do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP, integrante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC): “A definição de morte súbita compreende óbitos inesperados, que surpreendem a família dos pacientes e os médicos. Conforme a Medicina avança e as ferramentas diagnósticas se tornam mais sofisticadas, mais se percebe que ela não é tão súbita assim: as principais causas podem deixar sinais de que algo não vai bem”.
É como no esporte, cada vez mais, com a rapidez e eficiência da comunicação, com muitas ferramentas de análise e verificação de resultados, as surpresas vão sendo cada vez menores.
E, com as novas tecnologias, controle e novos métodos de trabalho, as diferenças entre atletas e equipes vêm diminuindo. Vitórias definidas nos detalhes.
Detalhes que foram observados, treinados e desenvolvidos com muito trabalho.
Normalmente, as reportagens vêm com conteúdo raso, um pouco mais do que apenas memorizar informações.
E, vamos além, com pouca identidade histórica. O Brasil tem uma rica história no esporte olímpico.
Poucos se recordavam, por exemplo, que dos 5 atletas brasileiros, NO MASCULINO, mais novos a conquistar medalhas em Jogos Olímpicos, 2 são da natação: 1. Jorge Fernandes (natação), bronze em 1980 aos 18 anos, 3 meses e 20 dias; 2. Tiago Camilo (judô), prata em 2000, aos 18 anos, 3 meses e 25 dias; 3. Breno (futebol), bronze em 2008 aos 18 anos, 10 meses e 9 dias; 4. Alexandre Pato (futebol), bronze em 2008 aos 18 anos, 11 meses e 20 dias; 5. Cyro Delgado (natação), bronze em 1980 aos 19 anos, 2 meses e 12 dias.
Em algumas matérias jornalísticas há morte súbita de conhecimento.
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Ricardo de Moura
Gestor esportivo com mais de 40 anos de experiência em Projetos Esportivos.
Supervisor/Superintendente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos por 28 anos.
Participou de 7 edições dos Jogos Olímpicos, 7 edições de Jogos Pan-americanos e 25 Campeonatos Mundiais. Responsável por projetos que levaram à conquista de 10 medalhas olímpicas na natação. Integrante do Comitê Técnico de Natação da Federação Internacional de Natação por 12 anos.
Secretário-tesoureiro da Confederação Sul-americana de Natação.
Professor do Curso Avançado de Gestão Esportiva do Comitê Olímpico Brasileiro de 2009 a 2017.
Escritor do livro “Gotas Olímpicas” – 2022.
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