O atleta de alto nível e os pais – A competição
Gotas Olímpicas
Por: Ricardo de Moura
Data: 07/JUL/2024
A competição só se torna um obstáculo quando o atleta perde o prazer durante o processo.
A competição é um indicador de como o atleta precisa se superar e do que é improvável.
Ele pode ter feito tudo certo, mas naquele dia pode não ter acontecido o que esperava.
O revés nem sempre está ligado somente à sua falha.
Quando o atleta se decepciona, é sempre um aprendizado. A competição é onde ele mais se frustra, fazendo parecer que muito esforço foi desperdiçado.
Imagina se todo esse esforço foi baseado em sofrimento, sem que houvesse satisfação nos treinos, no processo!
O esporte é uma alternativa de vida, não só de carreira, e o adolescente precisa ter sempre em mente que na vida são sempre perdas e ganhos, custo e benefício.
Ele pode a qualquer momento interromper, mudar, parar. Esse olhar é importante que os pais ofereçam aos filhos. Porque tem alternativa.
O atleta pode pegar tudo o que aprendeu no esporte e colocar em outra profissão.
Pais com o olhar de cobrança por resultados costumam onerar emocionalmente seus filhos. Não há perda em investir no atleta, só ganho. Porque ele se reconstrói dali para qualquer coisa.
O desenvolvimento de atleta é também mental.
Ele tem que lidar com pressão, com ansiedade. Ansiedade de desempenho é comum no esporte. É importante entender as emoções para que elas possam ser administradas e melhor integradas no dia a dia dos treinos e nos momentos de competição.
Imaginemos um atleta nos Jogos Olímpicos, que compete hoje, amanhã e depois de amanhã. Como consegue manter o equilíbrio da cabeça com o corpo saudável e funcional?
Existem atletas que nunca haviam perdido, eram invictos e, na primeira perda, nunca mais conseguiram emplacar vitórias.
A cabeça do atleta de elite precisa estar tão treinada quanto o corpo e suas habilidades.
Próximo tema: Rede de suporte.
Ricardo de Moura
Gestor esportivo com mais de 40 anos de experiência em Projetos Esportivos.
Supervisor/Superintendente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos por 28 anos.
Participou de 7 edições dos Jogos Olímpicos, 7 edições de Jogos Pan-americanos e 25 Campeonatos Mundiais. Responsável por projetos que levaram à conquista de 10 medalhas olímpicas na natação. Integrante do Comitê Técnico de Natação da Federação Internacional de Natação por 12 anos.
Secretário-tesoureiro da Confederação Sul-americana de Natação.
Professor do Curso Avançado de Gestão Esportiva do Comitê Olímpico Brasileiro de 2009 a 2017.
Escritor do livro “Gotas Olímpicas” – 2022.
Divulgação ISE – Reprodução autorizada pelo autor
O conteúdo do texto é de inteira responsabilidade do(s) autor(es).